quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Euforia

Ela se esqueceu da euforia. Se esqueceu porque não tem mais tempo, porque agora é adulta, porque as contas, porque os amigos, porque os compromissos. Agora a vida é para além do entusiasmo descontínuo, para além das teses de bar, para além dos jornais amarelados cheios de pó em bancas de jornal, é para além da necessidade de se ir a cinemas e shoppings, é para além de se estar informada, e além e além e além dos cursos, das dinâmicas e dos desesperos. Não sentir euforia também tem sua própria excitação.
E sempre que ela acorda e o sol ainda não está lá, ela atenta os ouvidos para os sons dos que despertaram antes dela: é a perua escolar, é o padeiro fazendo pão, é o primeiro ônibus passando.
Se um dia você quiser voltar para um lugar querido, volte, volte sem falta, volte na sua lembrança cheia de fumaça, faltando o som como se estivesse embaixo d'água e você saberá que esse lugar tão querido é igual a todos os outros e que ele não é assim tão importante.
E se um dia você se lembrar de alguém que te fez algo que você não gostou, volte para o você que você era, olhe para si e sinta gratidão por si, por ter entrado naquela situação e por ter saído e quem sabe você compreenda o aprendizado que veio com isso ou não.
Nada importa quando se leva para o lado pessoal e tudo importa quando se olha com a lente universal.