segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Saudades do cheiro do mar impregnando o ar

Saudades do cheiro do mar impregnando o ar
O que assiste a encontros e despedidas
O mesmo que vê o que não deve ser visto
Que abraça a todos como faria Dionísio

Saudades do lugar
Que ficou escondido na minha memória
Aquela areia quente onde brincamos
Eu já não piso mais
Naquela época tínhamos tantos sonhos
Você já não sonha mais...

Saudades do cheiro do mar
Mas eu sinto que não há por quê voltar
Eu cortei a linha, dei-lhe as costas e fui embora
Em outra cidade vivo agora
Esqueci o caminho de volta
No meu quarto só uma imagem resta
Impressa por você na adolescência
Velha e amarelada, é uma cópia
De uma gravura de Hokusai

Nós poderíamos ter sido um
Nós poderíamos ter sido um

De você eu desejei mais que amizade
Eu quis sua imensidade e não vi sua fraqueza
Sépia é a cor dessa cidade
Me enchendo de tristeza
É tão estranho!
Lembranças boas que assombram!
Sonhando um sonho ruim
Quero me mexer, sair dali
Tudo prende e tudo pesa
Tudo amarra, me onera
Tento me lembrar do tom
Da tua voz vacilante
Não consigo
Tudo está ficando distante

Nós poderíamos ter sido um